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Zika pode atacar sistema nervoso

Pesquisa que analisou pacientes com adoecimento neurológico após quadro viral apontou infecção


Thu Nov 19 08:13:00 BRT 2015 - Renata Coutinho, da Folha de Pernambuco
Aumenta cada vez mais a suspeita de que o zika pode provocar, em casos graves, danos ao sistema nervoso central. Isso aconteceria tanto na formação do feto, quanto na alteração das funções neuromotoras do adolescente ou adulto. As duas hipóteses são baseadas em achados médicos que apontam para uma tendência do vírus causar complicações neurológicas em algumas pessoas. As evidências de microcefalia em fetos de duas gestantes paraibanas indicaram a presença do vírus no líquido amniótico. Já em Pernambuco, uma pesquisa com cerca de 130 pacientes que apresentaram adoecimento neurológico após quadro viral também começou a demonstrar infecção por zika como possível causa.
A suspeita de que a doença poderia afetar o sistema nervoso central já havia sido levantada pela Folha de Pernambuco no mês de julho, quando os quadros da Síndrome Guillian-Barré (SGB), agravo autoimune que pode surgir após infecções por vírus ou bactérias, aumentaram em 42% no primeiro semestre do ano na comparação com o mesmo período de 2014. A chefe do departamento de neurologia do Hospital da Restauração (HR), Maria Lúcia Brito, faz parte do grupo que monitora o aumento de doenças neurológicas pós-virose. Segundo ela, da amostra de quase 130 pacientes do HR, oito já positivaram para o vírus. “O resultado é preliminar e será preciso aguardar o resultado de uma amostra maior. Precisamos esperar o restante. Estamos aguardando o resultado de exames complementares”, disse.
O material biológico desses pacientes foi enviado para a Fiocruz. Entre as doenças detectadas e que podem ser relacionadas ao zika estão a Síndrome Guillian-Barré, a neurite ótica, a mielite, a meningite e a meningoencefalite. A informação extraoficial é de que o RNA do vírus já foi encontrado nesses pacientes, o que é um forte indicativo de que essas pessoas com quadro neurológico estavam infectadas pelo zika.
O infectologista e membro do Comitê Técnico do Ministério da Saúde (MS) para apurar Dengue, Chicungunya e Zika, Carlos Brito, comentou que já há na literatura médica uma associação entre zika e o aparecimento posterior de doença neurológica. “O que existe de associação no mundo é a descrição da Polinésia Francesa. Lá houve 72 casos de pacientes com quadros neurológicos que aconteceram após o período de epidemia de zika. Mas eles não tiveram nenhuma confirmação laboratorial desses casos. Foi sugerido, mas não conseguiram mostrar a relação nexo-causal”, contou.
O infectologista destacou que o vírus tem demonstrado ter um neurotropismo, ou seja, tendência a se localizar no sistema nervoso central como complicação e não como forma habitual. “A dengue tem complicação hemorrágica, a chicunkunya tem complicação articular e hemorrágica, mas a zika parece que a complicação tem a tendência de neurotropismo”, comentou. Foi Brito quem lançou o alerta sobre o aumento de pessoas com problemas neurológicos em junho deste ano, principalmente casos de SGB. Na época o diretor geral de Controle de Doenças e Agravos da Secretaria Estadual de Saúde (SES), George Dimech, informou que em 2012 foram 28 registros da síndrome, 81 em 2013, 45 em 2014 e até junho de 2015 os casos somavam 64 ocorrências. A SES preferiu não comentar por enquanto a descoberta do zika entre os pacientes investigados no HR, nem informou novos dados sobre a Guillian-Barré.
Pesquisa quer desvendar agravamentos
Conhecer como a biologia do zika pode gerar os agravamentos da microcefalia e acometimentos neurológicos como a Síndrome Guillian-Barré é um dos objetivos da pesquisa “The emergence of Zika Virus in Brazil: investigating viral features and host responses to design preventive strategies”, encabeçada pelo professor e pesquisador da Fiocruz Rafael França. O estudo foi contemplado no edital do Fundo Newton sobre doenças infecciosas e negligenciadas. Com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (Facepe) e da Medical Research Council (MRC UK) do Reio Unido, a investigação visa desvendar o vírus, desenvolver novos insumos para o diagnóstico, potenciais vacinas e novos produtos.
França explicou que até hoje pouco se sabe sobre o vírus, que tipo de célula ele infecta e quais os mecanismos da doença. Isso porque no mundo nenhum surto teve a dimensão que a doença trouxe para o Brasil. “É um projeto de colaboração internacional onde vamos estudar a biologia do vírus em si. Com o vírus no laboratório a gente consegue fazer modelos de células in vitro e infectar com o vírus, para depois avaliar a resposta dessas células frente à infecção. A gente objetiva, mas não sabe ainda se é possível, infectar experimentalmente camundongos e avaliar a sintomatologia do animal, avaliar os processos patológicos”, explicou.
Essas avaliações podem desencadear a formação de kits diagnósticos simplificados e específicos para a zika. Hoje a detecção da doença é feita mais pelo diagnóstico clínico. O pesquisador destacou a pesquisa começou, mas que na prática, não há prazo para que os insumos e produtos cheguem à população.
Declaração de ministro gera mais polêmica sobre gestação
“Sexo é para amador, gravidez é para profissional. A pessoa que vai engravidar precisa tomar os devidos cuidados”, afirmou o Ministro da Saúde, Marcelo Castro, aumentando a polêmica sobre a gestação neste período de aumento de casos de microcefalia. A nova declaração, na última quarta (18), reforçou o discurso de contraindicação que o MS adotou e depois negou sobre a decisão de engravidar, mas que parece ser a tônica do Governo. O ministro reforçou ainda que “ninguém deve engravidar ao acaso. E que deve ser feito um planejamento para uma maternidade responsável”.
Marcelo Castro destacou ainda que se o zika for confirmado como causa do aumento dos casos de microcefalia, há possibilidade de outros estados também enfrentarem um surto dessas malformações congênitas e até mesmo outros países. Até o momento os estados de Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Bahia confirmam volume atípico da microcefalia e juntos somam 399 notificações. Pernambuco concentra a maioria das ocorrências: 268. Diante da situação de alerta nacional, o ministério adotou a notificação obrigatória de bebês que nascem com essa condição. Os estados também vão passar a notificar gestantes com fetos já diagnosticados com a malformação.






 Renata Coutinho, da Folha de Pernambuco





Zika pode atacar sistema nervoso Reviewed by Bom Jardim News on quinta-feira, novembro 19, 2015 Rating: 5

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